Voltar ao blog

Liderança e Propósito

Nada tendo, mas possuindo tudo!


Uma mensagem de Kesia Santos

Antes de falar de si mesmo, Paulo fala de cuidado. Ele pede aos coríntios que não dêem "nenhum escândalo em coisa alguma, para que o ministério não seja censurado" (2 Coríntios 6:3) — ou seja, para que ninguém tenha motivo de falar mal do evangelho por causa do comportamento de quem o representa. Antes de qualquer ensino sobre liderança, vem esse alerta: o jeito como um líder age pode abrir ou fechar a porta pela qual o evangelho é recebido.

A gente vê isso até hoje. Não é raro o mundo julgar o evangelho não pela mensagem, mas pela conduta de quem fala em nome dele. Um líder que se abala, que se corrompe, que se comporta mal diante da pressão — sem perceber, atrapalha aquilo que deveria anunciar.

O exemplo de quem não tinha nada a esconder

Depois do alerta, Paulo faz algo corajoso: usa a própria vida como exemplo. Ele diz que, em tudo, provava com a própria conduta que era mesmo um servo de Deus — e então mostra o que isso significou na prática: em momentos difíceis, em necessidade, em angústia, sendo punido injustamente, sendo bem falado ou mal falado, conhecido ou desconhecido, com palco ou sem palco.

E chega ao ponto mais bonito da passagem: "como entristecidos, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, mas possuindo tudo" (2 Coríntios 6:10).

Não é uma descrição de conforto. É a descrição de um líder que segue firme mesmo quando o cenário não colabora — e que, mesmo sem recursos, enriquecia outros através da palavra da sabedoria e da transformação do evangelho.

Se Deus prospera quem obedece, por que passaram por isso?

Toda a Bíblia fala da prosperidade que acompanha quem obedece a Deus. Então por que Paulo e os que estavam com ele atravessaram tanta adversidade?

Porque eles abraçaram algo maior do que o que lhes era oferecido aqui. Um reino que vai além deste. Um propósito que não é terreno, mas celestial. Eles precisavam ser exemplo nisso — mostrar, na prática, que a riqueza de um líder escolhido por Deus não está no que pode ser negociado, comprado ou vendido. Está em algo que nenhuma circunstância consegue tirar.

Um líder assim não se abala. Porque coloca, acima de qualquer resultado visível, a convicção de que pertence a um Reino que essa terra não alcança.

O que nos move: o que vemos, ou o que não vemos?

Porque, no fim, o que Deus mais quer não é que você acumule bens — é que você seja salva. Que a sua vida, vivida com integridade mesmo debaixo de adversidade, seja exemplo, seja testemunho para quem observa de fora. A riqueza prometida em Cristo nunca foi a que se guarda em cofre ou em conta bancária. Foi a mesma que Paulo descreveu: nada tendo, possuindo tudo. Já não era material — era espiritual.

E isso levanta uma pergunta que incomoda: e se, em algum momento da sua vida, Deus negar o que você tanto deseja? Você ainda vai obedecer? Ou vai concluir que Ele foi injusto com você?

A forma como você responde a essa pergunta revela o que realmente move você como cristã: o que se vê, ou o que não se vê. Porque o que se vê é passageiro — o cargo, o recurso, o reconhecimento. O que não se vê é eterno. E é justamente isso que sustentou Paulo, e que sustenta todo líder que se recusa a deixar o visível decidir sua fidelidade.

Para você, que também lidera

Nem sempre você vai ter o que deseja. Nem sempre o cenário vai colaborar, nem sempre vai haver reconhecimento, recurso ou aplauso. Mas Deus proverá o que você precisa — e o que você precisa, muitas vezes, é diferente do que você imagina que precisa.

Que o nosso objetivo, como líderes, não seja acumular o que esse mundo pode oferecer, mas ser exemplo — para que o evangelho prospere através de nós, e não seja censurado por nossa causa.

Compartilhar

Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência.

Tiago 1:2-3

Comentários